Higiene Pessoal

 

A base para as Boas Maneiras é a auto-estima. Se a pessoa não se valoriza, então ela não se cuida; se ela não dá trato a si mesma e se a sua própria figura e os seus modos ofendem pela inadequação o sentimento de sociabilidade de seus semelhantes, cairá por terra toda possibilidade de que seus gestos possam significar deferência e respeito para com os outros. Os cuidados consigo mesma, incluída a higiene pessoal e a higiene do ambiente pelo qual a pessoa é responsável, devem ser, portanto, nosso ponto de partida.

Abaixo estão listados alguns tópicos relativos à higiene do corpo e ao asseio ambiental, para atenção em relação às crianças e aos adultos:


O CORPO

Além de fundamental para o intercâmbio social, a higiene do corpo é também importante para a saúde. Inúmeras doenças, principalmente da pele, dermatoses, impetigo, larva geográfica e micose de praia, por exemplo, decorrem de falta de higiene.

Manter o corpo asseado e perfumado, e as roupas limpas, é o primeiro preceito a ser ensinado às crianças e jovens, no lar e na escola, e um imperativo para os adultos.
Cheiro do corpo. O cheiro do corpo pode afetar o relacionamento social, como é o caso do cheiro de suor, a bromidrose, (suor malcheiroso) e do mau hálito, ou pode afetar apenas o relacionamento entre duas pessoas, como é o caso dos odores em partes íntimas.

Origem do odor. Como a maioria dos animais, o homem tem dois tipos de glândulas sudoríparas, as glândulas ecrinas, que produzem apenas líquido refrescante para o corpo, e as glândulas apocrinas, cuja secreção transporta gorduras e proteínas das células para o exterior do corpo.

As glândulas ecrinas estão distribuídas por todo o corpo e abrem diretamente na superfície da pele. Elas respondem prontamente a tensões ou ao calor. O suor que produzem é um plasma filtrado incolor que é 99% água e 1% outras substâncias químicas como compostos de sódio, cloro, potássio, cálcio, fósforo e ácido úrico.

As glândulas apocrinas, ao contrário, concentram-se em certas áreas peludas: nas axilas, na parte cabeluda da cabeça, e nas regiões umbilical, pubiana e anal. O suor que produzem vaza para os folículos capilares (raiz dos cabelos), e não diretamente sobre a pele. A secreção das glândulas apocrinas é alimento para as bactérias que estão na epiderme, e os produtos do metabolismo das gorduras e proteínas secretadas, digeridas pelas bactérias, é que produzem o cheiro desagradável do suor.
 

Raças: Nos estudos sobre características raciais, – uma das preocupações mais fortes da sociologia em fins do século XIX e primeira metade do século XX -, indicaram que são os europeus e africanos que possuem maior quantidade de glândulas sudoríparas do tipo apocrina. A raça mongol tem menor quantidade, e nas axilas, onde a concentração é normalmente maior nas duas primeiras raças, os mongois podem não ter nenhuma, ou ter muito poucas. Os japoneses quase não tem odor nas axilas. Ao tempo da escravatura, os negros africanos se queixavam do cheiro dos mercadores franceses que iam comprar negros na África: diziam que cheiravam a “galinha molhada”. No entanto, algumas etnias negras têm odor mais forte que os brancos.
 

Genética: Além da tendência racial, a genética individual faz variar a intensidade do odor entre membros do mesmo grupo étnico. Variam individualmente a distribuição, a quantidade e a intensidade da atividade das glândulas sudoríparas. Algumas pessoas têm hiperidrose axilar, ou excesso de suor nas axilas, que deixa grandes manchas na roupa. Essas pessoas geralmente não têm bromidrose porque a sudorese das glândulas écrinas lava as secreções produzidas pelas glândulas apócrinas que são as responsáveis pelo cheiro forte de suor.
 

Atividade física intensa: As pessoas de qualquer raça que caminham muito, ou passam muito tempo em ambientes quentes e fechados, adquirem cheiro de corpo; o suor se acumula sobre a pele e impregna as roupas, quando essas são pouco ventiladas ou muito absorventes, e as secreções rapidamente deterioram devido a alimentarem as bactérias que existem na pele.
 

Alimentação: Outro fator é a alimentação. O que a pessoa come como base de sua alimentação pode provocar cheiro do corpo. Eu próprio constatei, em uma área onde a população consumia muita rapadura, – embora não fosse uma região canavieira -, que as pessoas tinham um intenso odor de açucar mascavo.
 

Fungos:  São causa do mau cheiro nos pés os fungos, que provocam fissuras entre os dedos ou se concentram em pequenos nódulos na base dos artelhos na micose conhecida como pé de atleta. É, no entanto, um cheiro diferente do cheiro produzido por bactérias a partir do suor. É inútil tentar resolver o problema com qualquer tipo de talco. É necessário um bom fungicida, que um farmacêutico experiente saberá indicar.

Vestuário. As roupas retêm o calor do corpo e por isso favorecem o suor e a conseqüente produção dos resíduos bacteriológicos que geram o mau cheiro. Mas o odor pode inclusive provir da própria roupa, e não do suor. Alguns tecidos sintéticos usados em camisas ficam mau cheirosos quando aquecidos pelo calor do corpo. Também a roupa que é lavada mas não perde todo o sabão, ou que demora a secar, principalmente na época de chuva, adquire odor desagradável.

Outras causas
. Alguns problemas de saúde são causas menos comuns da bromidrose.

 

SOLUÇÕES:
O banho diário utilizando-se uma escova para escovar as axilas com espuma de sabão e a aplicação de um desodorante comum ao local, após o banho, é talvez a melhor solução para se evitar o mau cheiro axilar. Se não houve cuidados prévios, e já está formado um revestimento amarelado em cada pelo, então é necessária a remoção dos pelos com um aparelho de barbear. Os pelos que nascerão depois se manterão limpos se forem tomados os cuidados acima indicados.

É necessário distinguir entre desodorante e antitranspirante. O primeiro cobre ou absorve os odores sem limitar a transpiração. O segundo inibe ou restringe a transpiração por reduzir as dimensões dos poros ou por obstruir e retardar sua secreção. Hidroclororeto de alumínio é o composto mais usado em desodorantes e antitranspirantes. O talco também absorve a umidade e o odor, porém com menor resultado. Existe também a solução cirúrgica, que consiste na eliminação de parte das glândulas sudoríparas.

Mau hálito: São apontadas causas variadas para o mau hálito. É atribuído a refluxos do estômago que alcançam a garganta, à inflamação das gengivas, à simples presença de alimentos envelhecidos retidos entre os dentes, à cárie dentária e também as amígdalas que, mesmo que estejam sadias, em alguns casos têm uma estrutura que facilita a retenção de resíduos (pequenos carocinhos branco-amarelados) e neste caso o único modo de eliminar o mau hálito definitivamente é com a extirpação desses pequenos órgãos. A pessoa deve ser encorajada a procurar junto aos profissionais em cada área a possível causa do problema. Na escola as crianças podem ser ensinadas a escovar os dentes de modo a deixar os interstícios limpos (comprimindo a escova e fazendo penetrar seus fios nos espaços entre os dentes, ou usando fio-dental) e as gengivas (na parte superior e mais alta, ou na parte inferior e mais baixa) bem massageadas; a mestra deve enviar um alerta aos pais, se o problema for persistente.
 

O rosto: O rosto é nosso cartão de apresentação principal. Contem um grande número de informações de interesse social. Uma pessoa sagaz, analisando os traços, os movimentos e o tratamento do rosto de alguém, pode intuir muita coisa sobre a sua personalidade, de modo que suas respostas em relação ao outro serão influenciadas por esses sinais. Não cabe aqui analisar essas mensagens porém apenas ressaltar os aspectos relativos à higiene.
 

Acne: Lavar bem o rosto (e esfregar as costas com uma escova macia) é certamente uma medida eficaz para diminuir o número de espinhas ou acne, pois elimina a oleosidade excessiva da pele, pode desobstruir os poros e evitar o crescimento e a dispersão das bactérias na pele